AFA nega que presidente tenha sido alvo do FBI e confirma depoimento de terceiro nos EUA
A Associação do Futebol Argentino (AFA) divulgou uma nota oficial respondendo às reportagens que afirmavam que seu presidente, Claudio "Chiqui" Tapia, teria sido abordado pelo FBI e intimado pela Justiça dos Estados Unidos após a final da Copa do Mundo de 2026.
No comunicado, a entidade classificou essas informações como "completamente falsas" e afirmou que nem Tapia nem o tesoureiro Pablo Toviggino foram intimados por tribunais americanos ou tiveram celulares, computadores ou outros equipamentos eletrônicos apreendidos.
Ao mesmo tempo, a AFA confirmou que um terceiro, não identificado publicamente, foi convocado a prestar depoimento perante um grande júri (grand jury) nos Estados Unidos. Segundo a entidade, essa convocação pode envolver o fornecimento de informações relacionadas a dirigentes da federação.
A manifestação representa o primeiro posicionamento oficial da AFA desde que vieram à tona notícias sobre a investigação conduzida pelas autoridades americanas — que o Portal Economia já vinha acompanhando.
O que a AFA negou oficialmente
Em nota, a entidade afirmou que são falsas as alegações de que:
- Claudio Tapia tenha sido intimado pela Justiça dos Estados Unidos;
- Pablo Toviggino tenha recebido qualquer convocação judicial;
- agentes do FBI tenham confiscado celulares, computadores ou outros dispositivos eletrônicos dos dirigentes;
- os dirigentes tenham sido submetidos a qualquer obrigação judicial durante a permanência da delegação argentina nos Estados Unidos.
A AFA também criticou a divulgação de informações que, segundo ela, não teriam sido devidamente verificadas antes da publicação.
O que a entidade confirmou
Apesar de negar que seus principais dirigentes tenham sido alvo direto das autoridades americanas, a AFA reconheceu que existe uma convocação judicial envolvendo um terceiro.
Segundo o comunicado, essa pessoa deverá comparecer perante um grande júri federal nos Estados Unidos para fornecer informações que podem estar relacionadas a dirigentes da associação. O nome do convocado não foi divulgado oficialmente.
A confirmação indica que a investigação permanece em andamento, embora ainda não existam acusações formais contra a entidade ou seus dirigentes.
O que continua sob investigação
As autoridades americanas investigam movimentações financeiras relacionadas à AFA que, segundo reportagens publicadas anteriormente sobre a apuração do FBI, ultrapassariam US$ 300 milhões em contratos comerciais internacionais.
Entre os pontos analisados estão:
- contratos de patrocínio;
- direitos comerciais;
- utilização do sistema financeiro dos Estados Unidos;
- atuação de empresas intermediárias responsáveis pela administração de receitas internacionais.
A apuração busca verificar se houve eventual prática de crimes financeiros, como lavagem de dinheiro e fraude bancária. Até o momento, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e o FBI não anunciaram acusações criminais contra a AFA ou seus dirigentes.
Relatos divergentes na imprensa
Nos últimos dias, parte da imprensa internacional publicou que Claudio Tapia teria sido abordado por agentes federais no Aeroporto Internacional John F. Kennedy (JFK), em Nova York, antes do retorno da delegação argentina. Essas reportagens também afirmavam que equipamentos eletrônicos teriam sido recolhidos para análise.
Entretanto, essas alegações foram rejeitadas pela própria AFA, que afirma que nenhuma dessas medidas ocorreu. Como o FBI não comentou publicamente o caso, essas informações permanecem sem confirmação oficial por parte das autoridades americanas.
O que é um grande júri nos Estados Unidos?
O grande júri ("grand jury") é um procedimento previsto no sistema judicial americano. Sua função não é julgar pessoas, mas analisar evidências apresentadas pelos promotores para decidir se existem elementos suficientes para oferecer uma acusação criminal.
Pessoas convocadas para depor perante um grande júri podem atuar como testemunhas ou fornecer documentos e informações relevantes para a investigação. A convocação, por si só, não significa que alguém seja investigado ou tenha cometido um crime.
Investigação segue sem acusações formais
Apesar da repercussão internacional do caso, o cenário jurídico permanece praticamente o mesmo. Até esta data:
- não há denúncia criminal apresentada contra a AFA;
- Claudio Tapia não responde formalmente a processo nos Estados Unidos;
- Pablo Toviggino também não foi acusado oficialmente;
- o FBI não confirmou publicamente detalhes da investigação.
Assim, o caso continua em fase investigativa, sem conclusão das autoridades competentes.
O que pode acontecer daqui para frente?
Os próximos passos dependerão do andamento da investigação conduzida pelas autoridades americanas. Entre os possíveis desdobramentos estão:
- novas oitivas de testemunhas;
- solicitação de documentos adicionais;
- eventual arquivamento da investigação, caso não sejam encontradas irregularidades;
- apresentação de acusações formais, caso surjam provas suficientes.
Enquanto isso não ocorre, todas as pessoas e entidades citadas mantêm o direito à presunção de inocência.
Perguntas frequentes
A AFA confirmou que Claudio Tapia foi intimado?
Não. A entidade afirmou que essa informação é falsa e negou que seu presidente tenha recebido qualquer convocação judicial nos Estados Unidos.
Existe investigação nos Estados Unidos?
Sim. A própria AFA reconheceu que um terceiro foi convocado para depor perante um grande júri, relacionado à investigação em andamento.
Há acusação formal contra dirigentes da AFA?
Não. Até o momento, nenhuma acusação criminal foi anunciada pelas autoridades americanas.