FBI investiga operações financeiras da AFA: entenda o caso
A Associação do Futebol Argentino (AFA) está no centro de uma investigação conduzida pelo FBI e por promotores federais dos Estados Unidos. O objetivo das autoridades é apurar movimentações financeiras realizadas em território norte-americano e verificar se houve violação da legislação dos EUA, incluindo possíveis crimes de lavagem de dinheiro e fraude bancária.
O caso ganhou repercussão internacional durante a Copa do Mundo de 2026, disputada em parte nos Estados Unidos. Apesar da gravidade das suspeitas, é importante destacar que, até o momento, não há acusação formal nem condenação contra a AFA ou seus dirigentes. A investigação segue em fase preliminar.
O que está sendo investigado?
Segundo o jornal argentino La Nación, cujas informações foram repercutidas por veículos como CNN Brasil, Terra e Metrópoles, investigadores americanos apuram como pelo menos US$ 260 milhões passaram pelo sistema financeiro dos Estados Unidos em operações relacionadas à AFA, por meio de bancos como Citibank, Bank of America, JP Morgan, Synovus e PNC Bank.
Os investigadores querem esclarecer:
- A origem dos recursos;
- O destino do dinheiro — cerca de US$ 57 milhões teriam sido distribuídos entre empresas e beneficiários sem justificativa econômica clara nos documentos analisados;
- Quem recebeu os pagamentos;
- Se houve utilização do sistema bancário americano para cometer crimes financeiros.
Caso sejam identificadas irregularidades, os envolvidos poderão responder com base na legislação dos Estados Unidos.
A empresa no centro das investigações
Grande parte da apuração está concentrada na TourProdEnter LLC, empresa ligada ao produtor Javier Faroni e à empresária Erica Gillette, que atuava como intermediária na cobrança de contratos internacionais da AFA.
Segundo as reportagens, patrocinadores globais como Adidas e Warner realizaram pagamentos ligados aos direitos comerciais da entidade por meio dessa empresa. O FBI busca entender como esses recursos circularam depois de entrarem no sistema financeiro americano. Até o momento, a existência dessas movimentações não comprova qualquer crime — a investigação busca justamente determinar se houve ou não irregularidades.
Quem conduz a investigação?
A apuração envolve agentes do FBI e os promotores federais Patrick Gushue, Christopher Ting e Michael Berger, especializados em crimes financeiros e lavagem de dinheiro. As equipes atuam principalmente a partir de Washington e do Distrito Sul da Flórida, onde parte das operações financeiras teria sido registrada. Gushue integra a Unidade de Integridade Bancária do Departamento de Justiça; Berger já atuou na condenação de um ex-controlador-geral do Equador por lavagem de dinheiro em Miami.
Depoimentos já começaram
As autoridades americanas iniciaram a coleta de depoimentos de pessoas ligadas ao caso. Entre os ouvidos está o empresário Guillermo Tofoni, responsável pela denúncia que deu origem à apuração. Segundo o La Nación, o Departamento de Justiça também estuda convocar ex-integrantes do governo do presidente Javier Milei que tiveram acesso a informações sobre as atividades financeiras da AFA. A própria AFA já se pronunciou sobre o caso, negando que seu presidente tenha sido intimado.
Claudio Tapia é investigado?
O presidente da AFA, Claudio "Chiqui" Tapia, aparece citado nas reportagens por ser o principal dirigente da entidade durante o período analisado, ao lado do dirigente Pablo Toviggino. Não existe, até o momento, acusação criminal formal contra Tapia — seu nome surge em razão da posição que ocupa na administração da entidade, não como indicação de culpa.
AFA já se pronunciou?
Um representante da entidade na América do Norte, Tomás Regalado, pediu cautela diante da investigação, afirmando que as diligências das autoridades não significam, por si só, culpa ou responsabilidade criminal. Em março de 2026, a AFA já havia divulgado um comunicado afirmando ter apresentado todas as declarações juradas referentes às suas obrigações tributárias. Até a publicação deste artigo, não houve um posicionamento detalhado da entidade especificamente sobre a investigação do FBI, nem foram anunciadas medidas judiciais contra a AFA pelas autoridades americanas.
O que pode acontecer daqui para frente?
Como a investigação ainda é preliminar, diversos cenários são possíveis:
- Arquivamento do caso, caso nenhuma irregularidade seja encontrada;
- Continuidade das investigações por tempo indeterminado;
- Abertura de processo criminal, caso surjam provas suficientes;
- Eventual apresentação de acusações formais pelo Departamento de Justiça dos EUA.
Por enquanto, qualquer conclusão sobre culpa seria especulação — o princípio da presunção de inocência permanece válido para todos os envolvidos.
Existe risco esportivo?
Até o momento, não existe qualquer decisão da FIFA relacionada à investigação. Não há anúncio de punições esportivas, perda de títulos, exclusão de competições ou sanções à seleção argentina, que terminou como vice-campeã da Copa do Mundo de 2026. O caso é tratado, por ora, como uma investigação financeira conduzida pelas autoridades dos Estados Unidos — sem relação direta com a participação da seleção no torneio.
Por que o FBI pode investigar uma entidade argentina?
Embora a AFA seja uma entidade sediada na Argentina, o FBI pode atuar quando operações financeiras utilizam bancos, empresas ou instituições localizadas nos Estados Unidos. Se recursos passaram pelo sistema financeiro americano, as autoridades dos EUA têm competência para investigar possíveis crimes previstos em sua própria legislação — independentemente da nacionalidade da entidade investigada.
Perguntas frequentes
O FBI está investigando a AFA?
Sim. O FBI e promotores federais dos EUA conduzem uma investigação preliminar sobre operações financeiras ligadas à entidade, iniciada em 2024/2025.
A AFA foi condenada?
Não. Até o momento não existe condenação nem acusação formal contra a entidade ou seus dirigentes.
Qual é a principal suspeita?
Possíveis crimes financeiros, como lavagem de dinheiro e fraude bancária, envolvendo pelo menos US$ 260 milhões movimentados pela TourProdEnter LLC.
A Argentina pode ser punida na Copa do Mundo?
Até agora, não existe qualquer decisão da FIFA nesse sentido.